Atualmente, a Inteligência Artificial (IA) está no centro de discussões tecnológicas, impulsionando avanços científicos e crescimento em diversos setores. No entanto, um aspecto frequentemente negligenciado é o impacto ambiental que o desenvolvimento e uso da IA geram, especialmente no consumo de energia e água.
Os grandes modelos de IA, como o GPT-3 e GPT-4, são treinados em clusters de servidores que utilizam grandes quantidades de energia, gerando calor que precisa ser dissipado para evitar o superaquecimento. Para isso, os centros de dados usam enormes volumes de água para o resfriamento. Além disso, a geração de energia elétrica para manter esses servidores também consome grandes quantidades de água. Em suma, o consumo de água pela IA ocorre de duas formas: diretamente, por meio do resfriamento dos servidores (escopo 1), e indiretamente, pelo uso de água na geração de eletricidade (escopo 2).
O consumo de água pelos servidores de inteligência artificial
Os centros de dados, que hospedam esses grandes modelos de IA, dependem de água para resfriar os servidores por meio de torres de resfriamento e sistemas de circulação de ar. Esse processo pode consumir milhões de litros de água, especialmente em regiões quentes, onde a evaporação é maior. A inteligência artificial também contribui para o consumo de água durante a produção de microchips e outros componentes de hardware, um processo que pode utilizar milhares de litros de água ultrapurificada.
Retirada vs. consumo de água
É importante distinguir entre “retirada de água”, que se refere à quantidade de água retirada de fontes naturais, e “consumo de água”, que é a água efetivamente usada e que não é devolvida ao meio ambiente, muitas vezes evaporando ou sendo incorporada a produtos. A inteligência artificial, ao retirar grandes volumes de água para resfriamento e geração de eletricidade, pode aumentar o estresse hídrico em regiões vulneráveis.
Impactos e tensão social
O aumento no consumo de água para suportar a inteligência artificial pode gerar tensões sociais, especialmente em regiões com escassez hídrica. A responsabilidade de lidar com esse impacto não deve ser apenas das grandes empresas de tecnologia, mas de toda a sociedade. Com a crescente demanda por IA, empresas e desenvolvedores precisam medir e gerenciar a pegada hídrica desses modelos para mitigar o impacto de forma sustentável.
A falta de transparência em relação ao consumo de água pela IA é uma preocupação crescente. Assim como as empresas divulgam a pegada de carbono de seus modelos de inteligência artificial, o mesmo deve ocorrer com a pegada hídrica. Soluções para reduzir o consumo de água incluem otimizar os locais de treinamento e inferência dos modelos de IA considerando a eficiência hídrica regional.
Em suma, a IA traz grandes benefícios à sociedade, mas exige desenvolvimento responsável, com medidas eficazes para reduzir o consumo de recursos essenciais, como água.
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